Episódio 04


Olá.

Eu sou Tiago Rogero.

Este é o 4º episódio do Negra Voz Podcast, o podcast de História Negra do Brasil, do jornal O Globo.

SABOTAGE: “Porque a molecada que tá aqui, ó, eu, esse mano aqui, essa mina, já fomo moleque um dia. Tá entendendo? Se eu falar pra você que eu nunca me envolvi, de moleque aos 8, 9 anos, até os 15 anos com tráfico, é mentira minha. Que eu me envolvi. Tá entendendo? Se eu parei e sobrevivi é por causa que eu acordei e falei ‘Peraí, eu sempre gostei de cantar rap, eu vou tentar cantar, quem sabe dá certo?’. E… deu certo, tá entendendo? Mas o que eu já passei, o que eu já vi acontecer… Nas minhas músicas eu até falo: ‘O que eu já vi, não deu pra me redimir. Eu tive que ficar calado’. Ver e guentar calado”.

Este é o Mauro Mateus dos Santos, o Sabotage

Esse trecho é do documentário “Sabotage: Maestro do Canão”, lançado em 2015 pelo diretor Ivan 13P. 

Sabotage teve uma carreira curta. Em vida, lançou só um disco: “O rap é compromisso”, em 2001. 

TONI: “Quando eu ouvi da primeira vez eu sentia que aquilo ali era diferente, aquilo ali não era um rap comum, não era um cara qualquer, ele já era diferenciado desde o primeiro acorde, de ponta a ponta, então conhecer o Sabotage foi conhecer a evolução do rap nacional”.

E este é o Toni C, escritor e organizador cultural, autor de “Sabotage — Um bom lugar, a Biografia Oficial de Mauro Mateus dos Santos”. 

TONI: “Ele impactou todas as outras pessoas. mudou a forma de entender o que era o rap nacional, e do rap nacional entender como utilizar sua própria música, sua própria arte. Então os videoclipes passaram a ser diferentes, dali pra frente, a produção audiovisual como um todo passou a ser diferente, a participação de rappers no cinema passou a ser diferente”.

((( Trilha )))

TONI: “Sabotage é filho de um catador de sucata com uma empregada doméstica. O Sabotage… Na verdade o Mauro, Mauro Mateus dos Santos, era o caçula de três filhos, e a sua mãe criou sozinha, mais uma mulher solteira, independente, que foi à luta e criou os três filhos com muita dificuldade dentro de uma comunidade que foi conhecida depois e se tornou mundialmente conhecida na voz do Sabotage como Favela do Canão”.

Mauro Mateus dos Santos nasceu em 3 de abril de 1973. 

Ele foi criado na Favela do Canão, no Brooklin, o bairro da Zona Sul de São Paulo. 

TONI: “Esse menino de… que passou diversas dificuldades, que, é… enfim. Mais um menino aí que batalhou dentro da comunidade, pra conseguir ter as mínimas coisas, uma roupa, um lanche, uma comida… Esse menino tinha um sonho, de gravar um disco. Ele levou 27 anos para construir esse sonho, foi necessário você ter o envolvimento de Racionais MCs, de RZO, de Rappin Hood, de SNJ, Potencial 3, uma porrada de gente, o time de elite do rap nacional se juntar, pra ajudar a concretizar o sonho desse menino, e quando ele conseguiu gravar o primeiro disco, o primeiro álbum, foi um sucesso absoluto, participou de dois filmes, gravou com um monte de gente do rock, do samba, da MPB, de tudo quanto é área, e dois anos depois ele foi assassinado. Então tudo que a gente conhece do Sabotage foi um… foi num lapso de tempo de apenas dois anos. E a obra dele continua viva. Ele foi uma pessoa que teve uma trajetória muito curta, morreu com 29 anos. Mais um jovem negro assassinado de forma violenta…”.

Ainda criança, Mauro ganhou do irmão o… apelido. 

TONI: “Sabotage… Imagina o quanto ele não devia aprontar quando era menino… Se ele aprontou tudo isso na música, em coisas tão sérias como música, no cinema, na televisão e etc, imagina como moleque ali na quebrada, mesmo, na vila… E segundo a gente consegue levantar, assim, muito dessa origem vem dessas coisas que ele aprontava, de pegar documento do irmão, que era mais velho, pra poder entrar nos bailes… e coisa desse tipo. Então o irmão dele que passou a chamar ele, falando pra mãe, né? ‘Ó o Maurinho aí, cheio de fazer Sabotage’. ‘Maurinho tá fazendo sabotage de novo…’. Foi pegando ‘sabotage’, ‘sabotage’, e virou ‘Ó o Sabotage ali! O cara tá com sabotage de novo’… Porque ele aprontava, né?”.

Aprontava, gostava muito de rap e tinha esse sonho, de um dia gravar um disco. 

TONI: “Sabotage, ele, ao mesmo tempo em que tem esse talento incrível pra música, pra arte, ele tinha pouca oportunidade. Na verdade, ele não tinha oportunidade nenhuma, né? Não tinha chance alguma de se tornar um grande astro, aparecer no cinema, aparecer na televisão, gravar música, não existia nada que dizia, a não ser o talento dele. Só ele acreditava nisso. E a realidade dele, o que aparecia de oferta, era dentro da criminalidade. Ele acabou tendo uma atuação dentro do submundo do crime, e apesar disso, ele sempre acreditou e sempre apresentou essa ideia para outras pessoas, as pessoas mais próximas, ali, que ele conseguiu atingir, e mostrar sua arte, seu talento”.

Essas pessoas eram o Sandrão, do grupo RZO, Rapaziada da Zona Oeste, e o Rappin Hood.

O Sabotage já era casado com a namorada da adolescência, Maria Dalva. 

TONI: “Então, teve uma situação que o Sandrão meio que teve um estalo e falou… o Sandrão falando com o Rappin Hood: ‘Teve um neguinho lá que me encontrou e ficou cantando na minha orelha a noite inteira, o cara é bom pra caramba, a gente tem que trazer ele pra começar a cantar com a gente e tal’. E só de dizer as características dessa pessoa, o Rappin Hood falou ‘Eu sei quem é que estava cantando do seu lado. Era o Sabotage, ele mora lá na Favela do Canão'”.

Nessa época, o Sabotage já tinha três filhos: Tamires, Wanderson e Larissa. 

TONI: “E aí segue o Rappin Hood com o Sandrão, com a função, a missão ali de buscar, resgatar o Sabotage, e pra isso eles fazem um debate ali dentro, com as pessoas que gerenciavam a criminalidade no local. E o debate é mais ou menos assim ‘Cês vão levar esse cara aqui pra cantar? Cês tão vendendo aqui que ele vai virar cantor, que ele vai gravar um disco e tudo mais. É isso mesmo? Porque aqui ele tem tudo. Aqui ele tem trabalho, aqui ele tem o salário dele, aqui ele tem o dinheiro dele e tal, aqui ele tem a família dele. Vocês vão levar ele pra essa aventura, vocês vão dar conta, é isso mesmo?'”.

Era isso mesmo.

Sandrão e Rappin Hood apadrinharam o Sabotage, que, primeiro, começou a fazer participações nos shows do RZO. Mas logo veio o disco. 

“O rap é compromisso” foi lançado em 2001 pela Cosa Nostra, a gravadora própria dos Racionais MC’s. O disco teve produção de Zé Gonzalez, Daniel Ganjaman (mén), RZO, Tejo Damasceno e Quincas Moreira.

O álbum tem 11 músicas, com 10 participações: Negra Li, Black Alien, Rappin Hood, RZO, Sandrão, Potencial 3, Sombra e Bastardo, Cascão e… Chorão, que então já fazia sucesso com o Charlie Brown Jr. 

TONI: “Enfim, as pessoas, os artistas que estavam ali no entorno ajudando a construir o cenário do rap nacional, pavimentar a estrada do rap nacional, e ao mesmo tempo ajudaram a construir a carreira do Sabotage, que sozinho não conseguiria gravar um disco, sobretudo com a qualidade e com a estrutura que ele teve. E ele, sem ferramenta ele já fazia coisa muito bem, com a ferramenta ele criou um clássico, que é o disco ‘O rap é compromisso'”.

O álbum vendeu quase 2 milhões de cópias.

Mas o que ele tinha de tão… diferente?

TONI: “Sabotage era um cara autêntico, que cantava o que vivia, era um cara alegre. E ele dizia: ‘Se eu fosse cantar problema, a minha vida já é um monte de problema. E ao mesmo tempo ele não deixava de cantar os problemas da realidade, então ele retratava a realidade, mas de uma forma extremamente… eu não vou dizer otimista porque não é exatamente essa palavra… mas de uma forma extremamente contagiante. E ele tinha algumas técnicas, algumas formas, de criar rap, também muito singulares. O rap dele parecia mais um rap americano, parecia que você tava vendo o Coolio, parecia que você tava vendo o Tupac, parecia que você tava vendo um rapper estrangeiro, e não um rapper brasileiro. E o Sabotage era esse cara que fez esse cross, que cruzou a fronteira e fez uma música que não estava segmentada e exclusiva pro gueto. Apesar de ele vir de lá, vir da favela, vir da periferia, ele não fazia música só pros pares”.

Daí em diante foi tudo muito rápido. E Sabotage foi parar no… cinema.

Ele foi convidado pelo diretor Beto Brant a interpretar a si mesmo em “O invasor”, aquele filme protagonizado pelo Paulo Micklos.

((( Trecho de “O invasor” )))

Sabotage também assina a trilha sonora do filme, junto com o Selo Instituto. A trilha foi premiada nos Festivais de Brasília e do Recife, e no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

Em 2002, Sabotage foi convidado pelo diretor Hector Babenco a participar de Carandiru.

((( Trecho de “Carandiru” )))

TONI: “O Sabotage foi uma das primeiras pessoas, se não a primeira; ou pelo menos foi a primeira que conseguiu fazer isso de maneira efetiva; a perceber que a música não anda sozinha sem a imagem. Então ele conseguiu associar a imagem dele a um rapper extremamente eficiente. Tem gente que não sabe exatamente quem é o Sabotage, não sabe o nome dele ou não lembra exatamente a música, mas quando você fala: ‘Ah, aquele neguinho de cabelo arrepiado que beijou a bunda da Rita Cadilac no filme ‘Carandiru’. ‘Ahhh, sei quem é!’ Sabotage criou um marco e todo o rap nacional a partir de então passou a beber dessa fonte”.

((( Trecho de música de Andrea Bak )))

Esta é a Andrea Bak. Poeta, MC e grafiteira.

ANDREA: “Testando, 1, 2, 3… Andrea Silva do Espírito Santo… Amém. Meu nome é Andrea Bak, eu tenho 18 anos, sou rapper, poeta, também sou estudante de química, na federal de química, atuo nos espaços culturais, todos eles do hip hop, sempre fazendo intervenção poética, junto ao Slam das Minas do Rio de Janeiro, que eu faço parte, do grupo de rap que eu também faço parte que é o Nefetaris Vandal”

A Andrea é da Praça Onze, no Centro do Rio de Janeiro. A família dela é do Morro da Mineira, no Catumbi, também na Região Central.

ANDREA: “As minhas poesias eu busco sempre retratar essa diáspora histórica, né? dos afrobrasileiros, dos africanos, dos pindorâmicos, e esse genocídio que a gente sofre desde que pisaram lá no continente, que pisaram aqui na América, e decidiram exterminar a gente de todas as formas, e que ocorre até hoje, né? que vem… brutalmente o racismo… e é de todas as formas: institucionalmente, estruturalmente, disfarçadamente… E a minha inspiração é essa: fazer com que os meus, meus iguais, escutem as minhas palavras e se conscientizem, pra que um dia a gente se junte e faça a revolução de fato”

Talvez você tenha ficado sabendo quando a paquistanesa Malala, a mais jovem ganhadora de um Nobel da Paz, visitou o Brasil, em 2018.

Uma foto dessa visita que circulou bastante foi quando a Malala, na comunidade Tavares Bastos, no Catete, pintou na parede o rosto de Marielle Franco junto com grafiteiras da Rede Nami.

Entre elas, estava a Andrea. 

Andréa: “Então, ela fez o percurso de conhecer o projeto, né, da Rede Nami, e conhecer o Museu Vivo, das grafiteiras. Aí teve um momento em que eu recitei pra ela, e depois desse momento a gente ficou lá conversando, né? Eu, com meu inglês arranhado e ela com o dela também, porque ela não fala inglês… naturalmente… Aí, tipo, a gente trocou, naquele pouco… naquelas poucas três horas a gente trocou sobre como são as vivências dela, eu falei das minhas, o que que eu… Como que é, como que é a luta de ser uma estudante negra e não vir de uma família com poder aquisitivo grande e etcetera… E a gente trocou essas informações aqui.

E como que é a luta de ser uma estudante negra que não vem de uma família com grandes… posses… econômicas, assim?

Ah, é… É bem difícil, mas é gratificante ver que à cada seis meses eu consigo passar de período, e ver que daqui a poucos anos eu vou ser uma das poucas mulheres da minha família a se formar, assim. Numa instituição federal, eu tenho um técnico… É bem importante pra mim. E eu quero me formar antes… dos meus pais partirem… Espero que seja logo”.

A Andrea é filha de Dulcineia Maria e José de Souza. 

Você é filha única?

ANDREA: Não, eu tenho mais dois irmãos. 

Mais velhos, mais novos?

Mais velhos, eles têm 30 e poucos anos… Muito velhos…”.

Ela fala com muito orgulho dos pais, e fala com muito orgulho dos avós, também, e dos bisavós. 

ANDREA: “Pô, a maior inspiração pra mim, porque se hoje, tipo, eu consigo respirar, consigo estudar, é porque eles não conseguiram no passado. Porque eles não conseguem até hoje E eu tô escrevendo um livro que, querendo mais buscar a história dos meus ancestrais, eu comecei a conversar mais com os meus pais, né, e escutar a história de cada um, né, e assim, é uma história muito interessante, é real, e aí eu tô juntando isso num livro, né. É assim:

‘A alforria chegou em boa hora. Quando já havia a vontade da família mineira de habitar outra terra. Uma em que a liberdade estivesse em cativar territórios nos quais seus ancestrais os guiassem. Dona Clementina e o senhor Miguel de Souza estavam determinados a migrar de Barbacena à capital da cidade do Rio de Janeiro. Com um grupo pequeno, porém potente, de escravizados livres, surge então a ocupação do Morro da Mineira, cujo nome é dado pela marcante presença da líder Clementina de Souza…”

Essa busca pelo passado, não só da família dela, mas pela História da África, começou há uns dois anos. 

ANDREA: “Quando minha mãe tava trançando meu cabelo, foi a primeira vez que minha mãe botou trança em mim, né? Foi em 2017… É, eu tava vendo TV Cultura, porque lá a gente sempre vê, desde pequenininha, meu pai sempre bota pra eu ver TV Cultura, e tava passando a História da África, e passou o processo de colonização e tudo mais… Eu sempre vou atrás assim dos livros, busco em livros, nas bibliotecas… Um dos lugares que sempre me inspirou, e que me inspira até hoje e que eu nunca deixo de ir é o IPN, que é o Instituto dos Pretos Novos… Então eu sou autodidata nesse sentido, né? Porque na escola a gente não aprende o Outro Lado da História dos Negros senão a escravidão”.

Quando se formar na Federal de Química, a Andrea pretende prestar vestibular para Medicina.

ANDREA: “Mas a minha meta é já ir conseguindo organizar de fato programas culturais na minha comunidade. Porque minha maior meta é ver, assim, que meus amigos não morram de ano em ano lá, é… e que as crianças lá da minha rua não cresçam no meio de drogas ou usando elas… Então a minha maior meta é trazer a cultura para a minha comunidade, e sem enrolação, assim, contar a nossa história mesmo, assim… Então daqui a dez anos eu me imagino já iniciando algum programa cultural e também na área da saúde”.

Andréa BAK é um nome artístico.

ANDREA: “O significado do Bak é Brendon, Andrea e Kevin, porque a gente sempre andava juntos. O Kevin é irmão do Brendon. Mas infelizmente ele foi assassinado no ano passado pelo Bope, o Brendon, e ele era meu melhor amigo, assim. E… assim, ele já foi envolvido, né?, em questão de… com o tráfico mesmo. E assim, é… ele era a única pessoa que conseguia trazer comida pra casa… Foi a única forma de ele conseguir dinheiro pra trazer pra casa, porque ele não tem alfabetização, assim. São descendentes diretos, são pindorâmicos, sabe? É… enfim… Como ele chegou lá, a gente sabe o por que, mas ele já tinha saído, ele conseguiu sair… da… do tráfico e ele estava trabalhando como pedreiro, né? Que o tio dele conseguiu um emprego, trabalhando lá no morro, mesmo, construindo uma casa… E aí numa operação do Bope que subiu lá, tipo, sete da manhã num domingo… A mãe dele falou que ele tinha subido pra pegar wi-fi pra falar comigo, porque ele ia lá pra casa na semana… E aí sete da manhã mesmo o Bope foi, só deu um tiro de fuzil na cabeça dele, jogou o corpo dentro de um saco de alumínio, forjou com arma, droga, e falou que ele era traficante, que ele tava vendendo isso, tava vendendo aquilo… E se foi, né? Esse é o B do, do Bak”.

((( Trilha )))

TONI: “O Sabotage morreu quando ele tava produzindo um novo álbum. E as vozes eram mais guia pra ele poder gravar pra valer, mesmo, o disco dele. Então ficaram algumas gravações, e dessas gravações surgiu um álbum póstumo”.

Aqui novamente o Toni C, biógrafo do Sabotage.

TONI: “Ele foi assassinado no dia em que eu iria conhecê-lo. Porque ele tava indo pro Fórum Social Mundial. Ele estava no meio dessas gravações aí, deixando voz guia e etc., porque ele iria viajar. Sabotage foi assassinado com um crime que não tem testemunha. Aliás, teve testemunha, mas ninguém se apresentou, né? E o caso foi julgado. Foi tramitado na Justiça, e uma pessoa foi condenada pela morte dele, e foi presa. Pra Justiça o caso está encerrado e se trata de um acerto de quadrilhas e o Sabotage foi uma dessas vítimas de uma disputa entre quadrilhas rivais”.

Sabotage foi assassinado em 24 de janeiro de 2003, aos 29 anos. 

Em 2010, Sirlei Menezes da Silva foi condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato.

Sabotage deixou a esposa e três filhos.

TONI: “Ele teve uma ascensão meteórica. Onde ele pisava, ele era visto como uma artista. Acho que a felicidade dele foi ele gravar um disco. Essa foi a primeira felicidade. A segunda seria ele proporcionar uma qualidade de vida pra família dele. Acho que essa segunda ‘missão’, vou chamar assim, ele não conseguiu cumprir como um todo. Foi interrompida. Sair da miséria, dar dignidade e condições para a família dele e pra ele mesmo, por que não?, nada mais digno e nada mais justo… foi nesse momento em que a vida dele foi interrompida. Então, por mais que ele teve um reconhecimento do ponto de vista artístico, sim. Agora do ponto de vista econômico, não deu tempo de ele criar estrutura pra transformar a realidade dele”.

Em 2016, as gravações que ele fez pouco antes de morrer foram transformadas num álbum póstumo de inéditas: “Sabotage”, produzido pelo mesmo Selo Instituto e com as participações de nomes como Negra Li, Rappin Hood, RZO. Todo mundo abriu mão dos direitos e cedeu aos filhos de Sabotage. 

Em 2018, foi lançada mais uma inédita: “Love Song: A maior dor de um homem”, em parceria com Mano Brown e com as participações dos dois filhos de Sabotage com Maria Dalva: Tamires e Wanderson, o Sabotinha.

TONI: “O Sabotage tem uma história… é esse cara gangstão, de quadrilha, do rap, do rap gangster e ao mesmo tempo envolvido com tudo, com os artistas, com premiação porque ele ganhou vários prêmios em vida e etc e tal. Ele era tudo isso. Mas a história do Sabotage era uma história singela, a história de um menino que se apaixonou por uma menina, que era vizinha dele, e falou: ‘Ó, um dia eu vou casar com você’. E passaram-se anos e ele não só casou, como teve filhos… É uma história bonita dessa, assim, é uma história de amor, uma história de romance”.

((( Trecho de “Love song” )))

O Negra Voz Podcast volta na semana que vem. 

Se você gostou, há duas formas apoiar o Negra Voz Podcast: 

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E assinando O Globo. Tem vários tipos e preços diferentes de assinatura, dê uma olhada no site do jornal. 

Produção, edição e roteiro são meus, Tiago Rogero.

Captação do áudio, Maurizio Belli. 

A trilha de abertura e encerramento é de Victor Rodrigues Dias e Felipe Kneipp.

Até semana que vem. 

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